A transição de carreiras tradicionais do mercado financeiro para a operação direta de empresas exige coragem e disposição para encarar desafios práticos. Camila Kataguiri, CEO da Pier, construiu uma sólida bagagem acadêmica e profissional antes de assumir o comando de uma das principais insurtechs do país, destacando-se pela busca de resultados reais fora das torres de vidro.
A trajetória da executiva passou por importantes instituições e grandes holdings de consumo, onde percebeu a necessidade de abandonar a distância típica de quem apenas analisa números. A decisão de mergulhar na gestão operacional permitiu compreender a complexidade da execução estratégica, transformando sua visão sobre negócios e liderança no cenário corporativo brasileiro.
A transição do mercado financeiro para a operação
O percurso profissional começou durante a graduação e passagens por bancos e fundos de investimento de relevância global. A guinada ocorreu quando decidiu assumir um cargo de operação em uma grande rede de alimentação, buscando entender como as diretrizes corporativas ganham vida no cotidiano. Essa vivência prática revelou que a distância entre o conselho de administração e a execução diária costuma ser profunda.
Ao aceitar o convite para integrar a seguradora digital, o objetivo era estruturar uma operação sólida capaz de sustentar um crescimento acelerado. A evolução nos números de faturamento reflete o foco em uma gestão orientada pela execução e pela superação de barreiras regulatórias e mercadológicas.
Inovação regulatória e foco na experiência do cliente
O modelo de negócio da Pier introduziu assinaturas mensais para a proteção de automóveis e celulares, formato que inicialmente encontrou barreiras em normas tradicionais. A empresa precisou dialogar com órgãos reguladores para viabilizar a renovação automática das apólices e questionar exigências que historicamente favoreciam corporações tradicionais.
A tecnologia também assumiu um papel central para agilizar processos complexos, como a liquidação de sinistros. Com o uso de inteligência artificial, parte dos pagamentos aos segurados passou a ser realizada em segundos por meio de ferramentas instantâneas, subvertendo a lógica de prazos estendidos que predominava no setor de seguros tradicional.
Cultura de resultados e o desafio da representatividade
O estilo de gestão adotado prioriza a clareza cultural e o pragmatismo, com processos de integração conduzidos diretamente pela liderança máxima para alinhar expectativas com novos talentos. A habilidade de priorizar demandas evita a dispersão em meio à rotina intensa de decisões corporativas complexas.
Além dos resultados financeiros, a presença feminina em cargos de alta direção ainda enfrenta barreiras em ambientes tradicionalmente masculinos como o mercado financeiro. Ocupar essa posição representa não apenas a condução de um negócio em expansão, mas também a ampliação de referências para futuras gerações no ambiente executivo, conforme detalha a cobertura da Forbes Brasil.
Fonte: forbes.com.br






