Gagan Biyani, cofundador da Udemy, inova com academia presencial para a era da IA

Gagan Biyani, cofundador da Udemy, lança a Horowitz Andreessen Academy em São Francisco, uma academia presencial focada em talentos da IA.
Gagan Biyani, cofundador da Udemy, inova com academia presencial para a era da IA
Capa da edição impressa da revista Forbes

Gagan Biyani, figura conhecida por revolucionar o aprendizado online com a cofundação da Udemy e, posteriormente, da Maven, agora direciona sua visão para um novo modelo educacional. Em um movimento que contraria a tendência digital que ele mesmo ajudou a popularizar, Biyani aposta no aprendizado presencial para moldar a próxima geração de talentos da inteligência artificial. Sua mais recente iniciativa, a Horowitz Andreessen Academy (HAA), propõe uma abordagem inovadora para a formação de jovens focados em IA e na criação de soluções.

Uma década após o sucesso de plataformas de cursos sob demanda e aulas ao vivo, Biyani reconhece a necessidade de uma nova metodologia de ensino diante do avanço exponencial da IA. A HAA surge como um projeto ambicioso, buscando combinar a expertise de grandes nomes da tecnologia com uma experiência de aprendizado imersiva e prática, preparando os estudantes para os desafios e oportunidades do futuro.

A proposta da Horowitz Andreessen Academy

A Horowitz Andreessen Academy (HAA), fundada por Biyani, surge como uma alternativa de ensino superior não credenciada, incubada pela renomada empresa de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z). Com um investimento inicial de US$ 35 milhões (aproximadamente R$ 180 milhões), a academia está sendo lançada com a meta de formar líderes e inovadores na área de inteligência artificial. A HAA busca autorização para operar junto ao Bureau for Private Postsecondary Education da Califórnia, mas não concederá diplomas universitários ou créditos acadêmicos.

Com sede em São Francisco, a primeira turma da HAA está prevista para o segundo semestre de 2027, acolhendo cerca de 50 estudantes em um programa de um ano sem mensalidade. A partir de 2028, a duração será estendida para dois anos, com mensalidades que se equipararão às de universidades privadas de elite. O foco é atrair jovens ambiciosos, com um histórico comprovado de “fazer” e construir, que buscam uma formação prática e acelerada em vez do modelo universitário tradicional.

Formação e filosofia na era da inteligência artificial

A filosofia central da HAA, conforme articulada por Gagan Biyani, baseia-se na ideia da “era do fazer infinito”, onde a inteligência artificial capacita indivíduos a realizar tarefas que antes demandavam mais recursos humanos, financeiros ou conhecimento especializado. Para Biyani, essa realidade eleva o valor não apenas das competências técnicas, mas também da proatividade e da capacidade de interação humana. Ele enfatiza que, em um mundo cada vez mais impulsionado pela IA, a colaboração e as habilidades interpessoais se tornam ainda mais cruciais.

Diferentemente do modelo tradicional de aulas expositivas, provas e notas, a HAA estrutura sua educação em torno de aulas, experiências profissionais e projetos autodirigidos, denominados “Pursuits”. Os estudantes dedicarão pelo menos três meses a um trabalho em período integral dentro de uma empresa, aplicando o conhecimento adquirido em cenários reais. Essa abordagem visa proporcionar uma aprendizagem mais profunda e motivadora, onde a aplicação prática e a resolução de problemas são o cerne do desenvolvimento.

Parcerias estratégicas e o perfil dos futuros talentos

A HAA estabeleceu parcerias com gigantes da tecnologia como Anthropic, Google, Meta, Nvidia, OpenAI, Palantir e Stripe. Essas empresas contribuirão ativamente para a definição do currículo, fornecendo tecnologia, recursos computacionais e oportunidades de aprendizado prático. Além disso, mais de 40 outras companhias já se comprometeram a oferecer estágios e empregos em período integral aos futuros graduados da academia.

A academia procura estudantes que demonstrem “provas concretas do que já fizeram”, ou seja, jovens que se identifiquem como “construtores por natureza”. Biyani descreve esses candidatos como recém-formados no ensino médio que expressam o desejo de avançar rapidamente em suas carreiras, sem a necessidade de passar quatro anos em um curso universitário convencional. A HAA não visa apenas “quebradores de regras”, mas indivíduos dispostos a pensar criticamente sobre os sistemas existentes e a inovar.

O debate sobre o ensino superior e a IA

Gagan Biyani defende que o ensino superior tradicional deve abraçar a inteligência artificial, em vez de resistir a ela, reconhecendo-a como a “nova tecnologia do futuro”. Ele argumenta que é fundamental ensinar não apenas como a IA funciona, mas também uma mentalidade diferente, focada na resolução de problemas e na capacidade de “fazer” utilizando essas ferramentas. A ênfase nas habilidades interpessoais também é crucial, pois a IA liberará os humanos para se concentrarem nas interações e na compreensão das necessidades de um vasto mercado global.

Embora a HAA se posicione como uma alternativa à faculdade, Biyani esclarece que não pretende desencorajar o ensino universitário. Ele reconhece que muitos jovens se beneficiarão da faculdade, enquanto outros podem optar por trabalhar ou empreender. Para aqueles que escolhem a via tradicional, ele aconselha buscar experiências que os tornem mais valiosos como “construtores”, participando de projetos, comunidades de código aberto ou criando produtos inovadores, preparando-se para as oportunidades únicas que a era da IA trará nas próximas décadas. Fonte

Fonte: forbes.com.br

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