O mercado de trabalho brasileiro demonstra um vigor notável, preparando-se para um encerramento de ano em ritmo acelerado e com perspectivas otimistas para o futuro. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um recorde histórico no número de pessoas ocupadas, enquanto uma pesquisa global aponta o Brasil como um dos líderes mundiais em intenção de contratação, com um foco estratégico em profissionais em início de carreira.
Esse cenário positivo reflete não apenas a recuperação econômica, mas também uma adaptação das empresas às dinâmicas do mercado de talentos. A aposta na formação interna e na atração de jovens profissionais posiciona o país em uma trajetória distinta em comparação com tendências observadas em outras economias globais, especialmente aquelas mais impactadas pela automação e inteligência artificial.
O brasil no cenário global de contratação
O Brasil solidifica sua posição como um dos mercados de trabalho mais promissores do mundo, conforme indicado por uma recente pesquisa do ManpowerGroup referente ao quarto trimestre deste ano. O estudo, que analisou o cenário em 42 países, revela que 62% das empresas brasileiras planejam expandir seus quadros entre outubro e dezembro.
Com uma expectativa líquida de emprego de 53%, calculada pela subtração dos empregadores que preveem demissões daqueles que planejam contratar, o Brasil alcança o segundo lugar no ranking global de países com maior intenção de contratação. Este índice representa um salto significativo de 18 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, superando a média mundial de 29% e se destacando entre vizinhos latino-americanos como Panamá (49%) e México (41%). O país fica atrás apenas da Índia, que registra 54%.
A aposta em talentos em início de carreira
Um dos aspectos mais distintivos do movimento no mercado nacional é a forte aposta em jovens profissionais, contrariando macrotendências globais. O levantamento do ManpowerGroup aponta que 65% dos empregadores brasileiros estão acelerando a busca por talentos em início de carreira, uma margem 20 pontos percentuais acima da média global.
Essa abordagem difere significativamente do que ocorre em países do Hemisfério Norte, onde a adoção em massa da inteligência artificial (IA) tem pressionado justamente a base da pirâmide corporativa. Na Suíça, por exemplo, a proporção de cargos de nível inicial anunciados foi 32% menor em 2025 do que a média entre 2019 e 2022. Nos Estados Unidos, empresas que adotaram IA generativa registraram uma queda de 7,7% nas contratações de nível inicial após seis trimestres, conforme um estudo da Universidade de Harvard.
O declínio nessas regiões é atribuído à capacidade da IA de assumir tarefas rotineiras, que tradicionalmente recaem sobre profissionais iniciantes, liberando-os para funções mais sofisticadas. Em contrapartida, a demanda por profissionais seniores aptos a gerenciar e orquestrar essas ferramentas tecnológicas tem crescido exponencialmente.
Estratégia brasileira na contramão global
A peculiaridade do Brasil em focar em talentos em início de carreira deve-se, em grande parte, à escassez de profissionais seniores qualificados e ao custo elevado para atraí-los. Diante desse desafio, as empresas brasileiras optaram por uma mudança estratégica, priorizando a formação de talentos “dentro de casa”.
Esse movimento é liderado por setores como manufatura (69%), finanças e seguros (67%) e informação (67%), de acordo com a pesquisa do ManpowerGroup. A estratégia de formar profissionais internamente permite às empresas adaptar os recém-chegados à sua cultura organizacional e reduzir a dependência de disputas acirradas por perfis já prontos no mercado, gerando vantagens competitivas relevantes.
Setores e regiões que impulsionam o emprego
A intenção geral de contratação no Brasil reflete uma tendência ampla e não concentrada em poucos segmentos. Os setores de finanças e seguros lideram com 63% de expectativa, seguidos de perto por construção e imobiliário (61%) e informação (59%). Essa diversidade indica um aquecimento do mercado de trabalho que abrange desde a indústria tradicional até tecnologia e serviços financeiros.
Geograficamente, São Paulo se consolida como o principal motor da geração de empregos, com uma expectativa de contratação de 65%. O estado, que abriga as principais sedes bancárias e importantes polos de inovação, é seguido pelo Rio de Janeiro (58%), Paraná (49%) e Minas Gerais (37%), demonstrando uma distribuição regional significativa do otimismo no mercado de trabalho.
Fonte: forbes.com.br