A brasileira Gabriela Belo Soares, com uma década de experiência no Vale do Silício, ascendeu à posição de líder global de produtos na Canva, uma das plataformas de comunicação visual e design mais influentes do mundo. Sua trajetória, marcada por passagens em gigantes como Google, LinkedIn, Walmart e PayPal, culmina agora na responsabilidade de moldar a experiência do usuário em mercados diversos e integrar a inteligência artificial no cerne da ferramenta. Este papel estratégico é crucial para a expansão contínua da empresa, que vê o Brasil como seu segundo maior mercado global.
Em entrevista à Forbes durante sua passagem pelo Brasil, Gabriela Belo detalhou as nuances de sua função, que envolve desde a adaptação do produto para incluir o Pix como forma de pagamento até a criação de templates otimizados para o WhatsApp. A executiva, que assumiu o cargo em outubro de 2025, lidera uma equipe de 30 profissionais distribuídos globalmente, com núcleos na América Latina, Austrália e China.
Estratégias para a expansão global do Canva e a integração de IA
Como líder global de produtos, Gabriela Belo Soares está à frente da adaptação da plataforma Canva para atender às particularidades de diferentes mercados ao redor do mundo. Suas responsabilidades abrangem desde a implementação de métodos de pagamento locais, como o Pix no Brasil, até a criação de templates otimizados para aplicativos de comunicação como o WhatsApp. A executiva, que assumiu o cargo em outubro de 2025, gerencia uma equipe de 30 profissionais distribuídos globalmente, com núcleos na América Latina, Austrália e China.
A integração da inteligência artificial representa um dos maiores desafios e focos da sua gestão. Com mais de 260 milhões de usuários ativos mensais, o Canva busca incorporar a IA de forma a otimizar as ferramentas existentes, permitindo que os usuários alcancem seus objetivos de design e comunicação de maneira mais rápida e eficiente. Em um cenário de alta competitividade, onde diversas IA’s oferecem funcionalidades amplas, a estratégia do Canva é focar na aplicação prática da tecnologia para aprimorar a experiência do usuário.
A jornada profissional da USP ao Vale do Silício
Apesar de sua atual paixão por interações globais e tecnologia, a carreira internacional em empresas de tecnologia nem sempre esteve nos planos de Gabriela Belo. Nascida em São Paulo, ela se formou em administração pela FEA-USP, inicialmente pensando em marketing. Sua jornada profissional começou na consultoria BCG (Boston Consulting Group), onde passou quatro anos desenvolvendo fluxos para bancos digitais e gerenciando programas de otimização financeira. Foi nesse período que a tecnologia despertou seu interesse, contrastando com a experiência anterior em produtos físicos.
A busca por conhecimento em construção de produtos digitais a levou à Califórnia, onde cursou um MBA na UC Berkeley. Na época, a gestão de produtos era uma área emergente, e o Vale do Silício era o epicentro desse desenvolvimento. Embora o objetivo inicial fosse apenas aprender, o dinamismo do mercado de trabalho a convenceu a permanecer no país. Após o MBA em 2018, ela ingressou no Google, atuando em operações e estratégia de negócios antes de liderar operações e estratégia de produto.
Desafios culturais e o “jeitinho brasileiro” na carreira internacional
A transição para uma carreira internacional trouxe consigo desafios culturais significativos. Gabriela Belo relata um choque com o estilo de trabalho nos Estados Unidos, onde a informalidade e as trocas pessoais no início das reuniões são menos comuns, e a documentação e a agenda prévia são a norma. A executiva também enfrentou obstáculos no processo de visto de trabalho, o que, segundo ela, pode ter atrasado sua carreira em cerca de dois anos.
Contudo, o “jeitinho brasileiro” mostrou-se um diferencial. Gabriela percebeu que sua abordagem leve e a capacidade de lidar com a ambiguidade, tomar riscos e comunicar-se eficazmente – tanto nos sucessos quanto nos fracassos – contribuíram para um ambiente de trabalho mais acolhedor. Colegas frequentemente mencionam que sua presença trouxe mais leveza às equipes, mesmo diante de desafios e resultados negativos.
O avanço e os desafios da liderança feminina em tecnologia
A trajetória de Gabriela Belo também reflete a crescente, embora ainda desigual, presença feminina em posições de liderança na tecnologia. Ela destaca a inspiração de mulheres em cargos de alto escalão em empresas como Google e Microsoft, observando uma evolução na representatividade feminina em áreas como produtos, que antes era mais restrita a marketing e finanças. No entanto, a executiva aponta para a persistente disparidade no investimento de Venture Capital em fundadoras mulheres, tornando-as raras exceções no cenário de startups.
O Canva, com sua cofundadora Melanie Perkins, é um exemplo positivo, mas que ainda se destaca como uma exceção. Gabriela Belo compartilha um conselho valioso para as novas gerações de mulheres na tecnologia: “peçam mais”. Ela enfatiza a importância de negociar salários, buscar mais responsabilidades, mentoria, feedback e promoções, pois muitas vezes as mulheres não pedem o suficiente, apesar de seu trabalho árduo e merecimento. Para sua própria filha, ela almeja um futuro com um mercado de trabalho mais flexível, inteligente e acolhedor.
Fora do ambiente corporativo, Gabriela Belo equilibra sua rotina entre o trabalho, a maternidade e hobbies que estimulam a mente e a criatividade. Ela dedica tempo à leitura, a desafios de lógica como Sudoku e jogos da memória, e à experimentação culinária, aprendendo a preparar pratos indianos com um toque brasileiro. Essas atividades representam sua forma pessoal de se conectar com diversas culturas, complementando sua atuação global no mundo da tecnologia.
Fonte: forbes.com.br